Utilize a resiliência para tolerar mudanças,
superar situações críticas e contornar obstáculos
Por Maria José Dale
O que estará acontecendo no mundo dos negócios para que, atualmente, o termo resiliência seja apresentado como uma novidade? O que faz com que um conceito tão antigo e já utilizado na Física torne-se a palavra do momento em Gestão Empresarial?
Para chegarmos a uma conclusão, poderemos iniciar a busca com a definição do Dicionário Aurélio, resistência ao choque, ou a oferecida pela física - que diz que a resiliência é determinada pela quantidade de energia devolvida após a deformação por aplicação de uma tensão - ou ainda o exemplo de que um material perfeitamente elástico tem uma resiliência de 100%. Mas, e no contexto corporativo, qual seria a acepção do vocábulo?
Desenvolvida e aplicada com grande sucesso nos EUA, com o objetivo de desenvolvimento pessoal, profissional e social, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente às adversidades. Talvez agora, nós, empresários, comecemos a nos identificar com esta palavra. Ah! Isso nós conhecemos bem. Essa característica tornou-se requisito necessário para os novos executivos de sucesso. Para acompanhar as exigências das empresas modernas é imprescindível não só ter a capacidade de resistir com flexibilidade às adversidades, mas também suportar as pressões do dia-a-dia e conseguir transformar problemas em desafios.
Diane Coutu, editora-chefe da Harvard Business Review, em seu artigo “How Resilience Works”, afirma que pessoas resilientes possuem três características: aceitação da realidade (ver a situação como ela realmente é, sem muito otimismo ou atitudes derrotistas), opinião respaldada em valores verdadeiramente significativos e habilidade de improvisação. Também não foi o acaso que fez com que Carolyn Larkin, conceituada pesquisadora de RH, colocasse a resiliência como o terceiro atributo mais importante de um líder corporativo, atrás somente de “visão” e “energia”.
O mercado de fitness está em franca evolução e, como já era esperado, a mudança provoca a necessidade de adaptação do mercado já existente. É nesta hora que os empresários devem ser resilientes e não lutar contra um caminho inevitável. Ser flexível neste momento, sem deixar de olhar a realidade, pode ser a chave para a retomada do sucesso em algumas empresas.
Não podemos esquecer que, anos atrás, todos discutiam e se surpreendiam com as mudanças em relação às atividades de wellness que estavam sendo incorporadas ao nosso mercado. Hoje, as grandes modificações não estão somente ligadas aos lançamentos de novas atividades. A necessidade de adaptações que provocarão os diferenciais nas academias está mais ligada a como e por quem está sendo administrada a empresa. E, neste caso, temos como fator determinante o posicionamento do líder, principalmente nos momentos difíceis.
Infelizmente, ninguém é treinado para as adversidades. Nestes momentos precisa-se ter a capacidade de ver tudo com clareza e ter metas claras e objetivas, mesmo que tudo pareça sem solução e na maior desordem. Muitos fracassos podem gerar ensinamentos que serão a base para construir os novos caminhos para a vitória. Na realidade, a resiliência está naquelas pessoas que, de acordo com a sabedoria popular, “vergam, mas não quebram” ou “conseguem transformar um limão em limonada”. A boa notícia é que esta habilidade pode ser treinada.
A seguir, as dez indicações direcionadas ao pequeno empresário para desenvolver a resiliência, oferecidas por Russ Newman, PhD,JD - Diretor executivo para a prática profissional da American Psychological Association.
1. Faça conexões - Desenvolva o networking para troca de informações e até mesmo conselhos profissionais e pessoais. Saber onde buscar ajuda e amparar quem precisa é uma das maneiras de desenvolver essa competência;
2. Evite encarar as crises como problemas sem solução - Você deve focalizar as empresas que estão bem posicionadas, se ajustar ao novo cenário e não deixar que os contratempos ameacem a vida do seu negócio;
3. Aceite que a mudança faz parte da vida - Nos negócios, a habilidade de ser flexível é a chave para ajudá-lo a focar aquilo que pode ser modificado. Aceite que algumas coisas novas virão; mesmo que a mudança seja dolorosa, aceite;
4. Persiga seus objetivos - Desenvolva alguns objetivos realísticos e faça algo regularmente - mesmo que seja uma realização pequena, mas que permita que a empresa se empenhe em efetivá-la. Pequenos empresários tendem a ficar estagnados. Mova-se para seus objetivos;
5. Tenha ações decisivas - Aja nas situações adversas tanto quanto você pode. Examine claramente a situação, a solução de problemas é um processo ativo que necessita de resiliência;
6. Procure oportunidades de autoconhecimento - Com as mudanças constantes do mercado e da economia, o pequeno empresário não pode esquecer que estará evoluindo como empreendedor a cada desafio que encontrar;
7. Tenha uma visão positiva de si mesmo e do seu negócio - Você pode pensar que a pequena empresa sempre sofre duramente com as mudanças econômicas, faça um exame e descubra qual o posicionamento ideal para a empresa sobreviver a partir das mudanças. Aproveite a vantagem de poder agir rapidamente e com flexibilidade, algo difícil para as grandes empresas;
8. Tenha perspectivas - As mudanças chegam para todos, não se esqueça que as outras empresas também estarão enfrentando as mesmas dificuldades nos mesmos cenários;
9. Mantenha a esperança - O otimismo permite que se espere as coisas boas, tente visualizar o que você quer, mais do que se preocupar com o que você teme;
10. Cuide de si mesmo - Os proprietários de pequenos negócios gastam muito tempo acompanhando a empresa e seus empregados e, às vezes, se esquecem de suas próprias necessidades e sentimentos. Faça atividades prazerosas e relaxantes para manter a mente e o corpo sãos e esteja sempre pronto para as horas em que você precisar ser resiliente.
Fonte: The American Psychological Association